Projeto 2 - Grupo 3B: Apps para Medicina

Integrantes: Bruno Iampolsky, Felipe Duda, Gustavo Efeiche, Mateus Caruso, Yuri Stefani


Introdução

No segundo projeto de Co-design de Aplicativos a proposta foi desenvolver um aplicativo baseado em um dos dois temas introduzidos pelos professores: Medicina e Inovação Social. Para nos ajudar na escolha, tivemos duas apresentações de palestrantes - Dr. Bento Cardoso e Miguel Chaves, de medicina e inovação social respectivamente - explicando o modelo de projeto de cada uma das áreas. O Dr. Bento é coordenador médico da equipe de diálise do Hospital Israelita Albert Einstein e o Miguel Chaves é um ativista social que trabalha com comunidades pobres. A partir das palestras realizadas tivemos que decidir qual tema seria mais interessante.

Nosso grupo optou por criar um aplicativo relacionado à alguma área da medicina por questão pessoal, pois acreditamos que existem diversas áreas ainda precárias em tecnologia, e que poderiam trabalhar de maneira mais eficiente e ágil com a introdução de tal. Abaixo está documentado todo o processo pelo qual passamos para chegar à ferramenta final.

Designs Inspiradores

Existem diversos aplicativos e websites com interfaces complicadas, difíceis de navegar e com muita informação ao mesmo tempo (ou nenhuma), que confundem o usuário. Um exemplo é o site Reddit (Imagem D1), com conteúdo muito interessante mas que peca na momento de apresentá-lo. Outro exemplo de erro, não tanto com interface gráfica mas com design como um todo, são os aplicativos genéricos da Apple, como o Wallet (Carteira) (Imagem D2) e Health (Saúde) (Imagem D3). O que queremos dizer é o seguinte: vocês sabem ao mínimo como usar estes aplicativos?

jBluLJg.png

[IMAGEM WALLET + HEALTH]

Porém devemos destacar os aplicativos com interface limpas, fáceis de entender e que direcionam o usuário para um objetivo. Podemos citar diversos exemplos: Snapchat, Instagram, 9GAG, Tinder, Guide (Imagem D4), Peek Calendar (Imagem D5), Target (Imagem D6), entre outros. Abaixo estão algumas imagens dos aplicativos Guide, Peek Calendar e Target:

IMAGEM D4

app_guide.png

IMAGEM D5

app_peekcalendar.png

IMAGEM D6

app_target.png

Mapa 1: Ideias Preliminares

Ao nosso grupo interessou mais o envolvimento da tecnologia com a medicina, por pura preferência pessoal. Após escolhidos os temas, na aula anterior às visitas, juntamos os grupos que gostariam de trabalhar com o mesmo tema que o nosso e fizemos um brainstorming, que tem seus resultados apresentados nas imagens abaixo:

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mapa1-2.png

Como podemos observar, diversas ideias e problemáticas surgiram, cada uma chamando a atenção de um grupo, apenas baseado em dificuldades que já conhecemos do dia-a-dia. O principal, porém, é que conseguimos separar nosso público alvo em dois grupos: pacientes e médicos. Pensamos então em como poderíamos relacionar estes grupos ou se deveriam ser analisados individualmente. Ficamos com essas ideias e todos os grupos que escolheram trabalhar com medicina foram convidados a passar uma tarde no Hospital Albert Einstein.

A visita e o Primeiro Conceito

Ao chegar fomos recebidos pelo Dr. Bento e encaminhados a uma sala para uma conversa com ele e mais três médicos. Temos que confessar que esperávamos mais desta visita. No geral podemos dizer que a palestra foi dividida em duas partes: a primeira parte foi uma conversa de como a tecnologia estava introduzida na medicina; e a outra foi uma explicação de como funciona a análise e estocagem do sangue doado para os hospitais. Isso foi muito bom para grupos que gostariam de trabalhar com aplicativos relacionados à doação de sangue, porém não interessou ao nosso grupo.

Em um dado momento da palestra, foi mencionada a burocracia envolvida com a realização de transplantes de órgãos, como era difícil enfrentar a fila, já que a demanda supera a oferta de órgãos. Isso chamou a atenção do nosso grupo, pois sabemos, por conhecimento empírico, que existem dificuldades relacionadas aos transplantes. Discutimos então o funcionamento do registro de pacientes para serem tanto doadores como receptores, quais entidades são responsáveis pelo transporte e manutenção dos órgãos, como é a atuação do médico em relação ao procedimento (se este é o principal responsável pelo transplante, no sentido burocrático).

A partir daí tínhamos uma ideia em mente, um aplicativo que facilitasse o registro na fila e a comunicação entre as instituições responsáveis pelos transplantes e os pacientes e médicos. Com essa ideia, fomos a campo escutar as opiniões de diferentes tipos de profissionais e pacientes.

visita.png

Mapa 2: Desafios e Estratégias

Elaboramos algumas perguntas para ir a campo e realizar as entrevistas com os pacientes:

- Há quanto tempo espera na fila?
- Foi difícil/complicado o registro na fila?
- Quem foi o responsável pelo pedido?
- Sua situação é de extrema urgência?

Em meio a essas perguntas, nosso objetivo era utilizar a estratégia dos 5 Whys (5 por quês), que consiste em realizar a pergunta “por quê” depois das respostas do entrevistado, afim de que este elabore o raciocínio e nos apresente maiores informações sobre suas opiniões e argumentos.

O grande problema foi que não conseguimos contatos! Não conseguimos falar com pacientes esperando transplantes pois não são o tipo de paciente que se encontra em salas de espera (local mais propício para encontrá-los) e não conseguimos conversar com médicos pois não se mostravam disponíveis, apesar dos e-mails e telefonemas feitos. Ao irmos até o hospital, era necessária uma autorização para ter acesso ao hospital para uma visita de campo e não havia ninguém disponível para nos dar esta autorização. Portanto, não conseguimos entrevistar ninguém. Não contávamos com essa dificuldade e ficamos sem embasamento para a realização do projeto.

Dada ausência dessa base, numa conversa com nosso professor, mencionamos a ideia de desenvolver uma ferramenta que disponibilizasse dicas para a realização de primeiros socorros para pessoas destreinadas, que já era uma outra ideia que havia em nossa cabeça. O professor Marcelo Hashimoto disse que era um conceito interessante, desde que atendesse às condições de co-design, ou seja, fosse uma ferramenta necessária e desejada por um número significativo de usuários.

Mudança de Planos

Partimos então para o desenvolvimento da ideia mencionada acima. Tivemos que realizar rapidamente a pesquisa, pois estávamos nos atrasando quanto aos prazos do projeto. Elaboramos mais algumas perguntas para poder realizar as entrevistas:

- Alguma vez já teve de socorrer alguém em uma situação de emergência? Qual?
- Se sim, conseguiu ajudar? Porquê?
- Se não conseguiu ajudar, se sentiu culpado por algo? Porquê?

Conversamos com três profissionais da área médica, um clínico geral, um cirurgião plástico e um paramédico. Falamos também com sete pacientes. Para todos realizamos as mesmas perguntas e obtivemos resultados interessantes. A maioria dos entrevistados – seis de dez – disseram que estiveram em situações de emergência e não conseguiram ajudar a vítima, pois não tinham o conhecimento necessário e tinham medo de prejudicá-la ainda mais. Utilizamos novamente a estratégia dos cinco “por quês” e conseguimos com que elaborassem suas respostas. Todos os entrevistados sem, sem exceção, disseram que gostariam de ter uma forma rápida e simples de aprender a realizar procedimentos de primeiros socorros, pois são situações que podem ocorrer a qualquer momento e gostariam de poder salvar a vida de uma pessoa. Os desafiamos a responder porque nunca tinham tentado aprender os procedimentos e a maioria respondeu que isso exige alguns cursos e que não tem tempo de realizá-los.

Sabíamos então que todos gostariam de uma maneira fácil de socorrer, então perguntamos como. Quando perguntados como fariam para socorrer uma pessoa, pelo menos enquanto o resgate profissional não estivesse disponível, comentaram que, já que todos atualmente possuem smartphones, seria bem interessante um aplicativo com tutoriais e dicas para a realização de
tais procedimentos.

Pré-Brainstorm

Depois de entrevistar algumas pessoas e ter uma leve ideia do que se passava na cabeça de cada um, diante ao tema de primeiros socorros, decidimos juntar a primeira leva de conteúdos para entender que rumo estava tomando nosso projeto. Esse trabalho de juntar os conteúdos e discutir com todos as informações encontradas, é chamado de Brainstorm, todavia essa ação ainda não consistia em tirar uma ideia a partir dessa "reunião", e sim um rumo melhor a ser explorado, diante das informações obtidas (por isso o nome Pré-Brainstorm).

Decidimos analisar primeiramente a opinião de cada um dos entrevistados. Como já fora abordado acima, a maioria se mostrou incapaz de ajudar alguém por falta de experiência. Experiência essa que poderia ser ensinada em um app de primeiros socorros, contudo antes de tomar conclusões, é preciso de mais informações. A questão que gerou mais aceitação em todos os entrevistados, foi a que gostariam de ter uma forma simples e clara de aprender a realizar procedimentos de primeiros socorros. Sem dúvida esse foi o ponto mais discutido no nosso Pré-Brainstorm, visto que é algo muito bem aceito e também que causou bastante interesse nas pessoas. Por conta desse fato, deixamos essas duas características em ênfase:

- Simplicidade e Clareza
- Aprender a Realizar Procedimentos (Básicos)

Como já foi explicado acima, esses dois tópicos foram muito comentados pelos entrevistados, a medida que realizamos as pesquisas. Com isso em mente, antes de realizar um Brainstorm definitivo e decidir alguma coisa, precisamos pegar esses dois tópicos mais destacados e realizar mais algumas pesquisas em campo, somente para ter mais embasamento de que essas características são essenciais.

Novas Entrevistas

Após a discussão de alguns conteúdos obtidos nas primeiras entrevistas, chegamos a conclusão que o melhor a ser feito seria a realização de novas pesquisas, a fim de ter uma visão mais conclusiva das pesquisas iniciais.

Realizamos as pesquisas em dois diferentes dias. O grupo se dividiu para conseguir uma gama maior de pessoas a serem entrevistados e na média, conseguimos dois novos entrevistados por integrante do grupo. Não limitamos essa pesquisa a nenhum grupo específico (como médicos, pacientes ou etc.), mas por sorte conseguimos entrevistar dois enfermeiros.

Essa entrevista foi claramente mais direcionada que a primeira pesquisa que realizamos, contudo mesmo assim ainda deixamos espaço para que as pessoas pudessem falar o que seria melhor na opinião delas. Das 10 pessoas, 7 disseram que ele baixariam um app relacionado a primeiros socorros somente se houvesse realmente algum auxílio de forma clara e simples, antes mesmo de perguntar-los algo sobre isso. Das 3 que sobraram, 2 disseram (justamente como nas primeiras entrevistas) que um app como esse seria muito útil visto que eles já passaram por situações críticas e não sabiam fazer nada a respeito. Quando as perguntamos sobre a questão da simplicidade e clareza, as duas pessoas se mostraram muito positivas quanto a isso. Já o último entrevistados, um químico, nos disse que esse tópico nunca poderia ser abordado de forma simples, e não via como isso poderia ser feito.

Com essas entrevistas pudemos concluir que realmente esses dois itens abordados no Pré-Branistorm são de suma importância para todo projeto. Agora que já temos novos conteúdos, poderemos dar continuidade ao trabalho, visto que se trata basicamente da opinião dos consumidores.

Personas

Com o intuito de interpretar melhor todo o nosso projeto, criamos um conjunto hipotético de pessoas que estariam relacionadas com nosso app. Esse conjunto é denominado de Personas e está demonstrado abaixo.

• Gertrudes (Idade: 38)
Ela é uma pessoa que nunca socorreu alguém. Apesar de sua idade, Gertrudes nunca passou por uma situação de desespero. Ela tem o aplicativo para qualquer situação de emergência que possa passar.

• Paula (Idade: 20)
Paula já passou por diversas situações de desespero. Seu pai tem diversos problemas de saúde, fazendo com que desmaios sejam muito recorrentes em seu dia-a-dia. Ela baixou o App na última semana e já teve oportunidade de usá-lo. Para ela, a ferramenta de primeiros socorros foi muito útil pois apesar de saber diversas medidas as serem tomadas, existem muitas situações (e por isso fica muito difícil lembrar de todas elas) que podem acontecer.

• Túlio (Idade: 63)
Túlio é um senhor de idade que procura algum meio de se prevenir de acidentes simples. Seu neto recentemente baixou o app HELP ME NOW em seu smartphone. Por conta da grande facilidade em manuseio da ferramenta, Túlio já chegou a usar o aplicativo (não em situação de emergência) para observar possíveis procedimentos a serem tomados.

• Walter (Idade: 36)
Walter ainda não baixou o aplicativo. Já passou por algumas situações de urgência no atendimento, contudo não foi muito útil por que não sabia o que fazer frente a essas situações.

Cenário

Abaixo se encontram algumas informações de quais foram os cenários avaliados:

• Extrema emoção: acontece algo com alguém perto do usuário e ele se vê na situação de se utilizar do aplicativo, tanto buscando auxílio quanto chamando por ajuda - profissional e de quem mais estiver na região.

• Chamado: ao acontecer algo com alguém, o usuário recebe a notificação de que alguém está em uma situação de emergência e sua ajuda é necessitada, caso ele se predisponha e seja capaz de verdadeiramente ajudar.

• Curiosidade: logo ao baixar o aplicativo, existe a chance de um usuário interessado em aprender mais sobre os procedimento se utilizar do app como informativo.

Mais Entrevistas

Para que conseguíssemos mais dados acerca dos possíveis usuários, fomos até a Av. Paulista entrevistar pessoas aleatórias. Inserimos nossos entrevistados no contexto da produção de um aplicativo e, por fim, fizemos algumas perguntas.

As perguntas foram as seguintes:

- Você baixaria um aplicativo de primeiros socorros. Por que?

Tivemos três possíveis respostas: I) Usariam, II) Baixariam mas talvez não usassem e III) Não usariam

Ao final da experiência, tivemos o seguinte resultado:
7 Pessoas baixariam e usariam
2 Pessoas baixariam, mas talvez não usassem
1 Pessoa não baixaria

Brainstorm I

Após as entrevistas e a elaboração de cenários e personas e já com os dados dos acidentes mais comuns, nosso grupo se reuniu para discutir quais seriam os métodos de resgate mais simples de serem explicados em poucas linhas. Usamos como base diversos materiais de hospitais conhecidos, como o Manual de Primeiros-Socorros do hospital Oswaldo Cruz.
Uma vez com todos esses dados em mãos, prototipamos uma versão do aplicativo, o próximo passo seria testá-lo com um possível usuário.

Ida a campo

Com uma primeira versão do aplicativo, fomos à campo para testá-lo com possíveis usuários. Dessa vez, por praticidade, escolhemos o Insper para realizar os testes. Entrevistamos três pessoas. Durante a entrevista, contamos uma história de alguém que teria se acidentado próximo ao usuário e entregamos um celular para que o entrevistado pudesse julgar se o aplicativo seria útil ou não.
A partir desses dados, seguimos para a próxima etapa: mais um brainstorm.

Brainstorm II

Com os dados do User Review em mãos, pudemos nos reunir novamente para trabalhar os feedbacks.
Foi unânime a reação do publico teste: a interface precisa ser o mais "clean" possível, uma vez que o usuário estará lidando com um situação de extremo estresse emocional. Sendo assim, chegamos à conclusão de que o protótipo definitivo deveria ser feito com uma interface extremamente simples, letras grandes e bem contrastantes com o fundo, para que não houvesse confusão na hora do pânico.

Finalização

Por fim, com todos os feedbacks em mãos e brainstorms feitos, pudemos então sentar e trabalhar em cima da versão final do aplicativo. Para isso, utilizamos a ferramenta POP - Prototyping on Paper - que é nada menos que um aplicativo para fazer protótipos de aplicativos!

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Tela inicial do aplicativo

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Exemplo de procedimento

como_usar1.png

Apesar da interface ser extremamente simples de ser entendida, pensamos que instruções de como usar nunca são de mais, vista a situação de utilização do aplicativo

Finalmente, segue o link do POP, para aqueles que estiverem interessados em testar o aplicativo em seu smartphone:
https://goo.gl/VawZnl

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